Na
mesma hora da aplicação senti um pequeno alivio, ele foi me dizendo que isso
pode prolongar ou não e que eu avisasse a qualquer mudança. Ainda assim me
solicitou alguns exames; ressonância e eletroneumiografia. Voltei para minha
cidade, Maceió, para realizar os exames, nesse período dei varias entradas na
emergência, mesmo tomando os medicamentos muitas vezes não foram suficientes,
outras vezes por falta de dinheiro para comprar os mesmo.
Começou
uma outra nova jornada, a dificuldade de andar, limitações de movimentos como sentar
e levantar... Ainda assim resolvi procurar emprego para ocupar o espaço de
tempo ocioso e trabalhar a minha mente para retirar o foco da dor, consegui um
que era 6 horas corrido, excelente pra conciliar com as coisas de casa e cuidar
da minha filha mais nova , passei apenas 3 dias, pois o trabalho era sentada, e
comprimia muito os nervos a ponto de chorar de dor as escondidas. Pedi dispensa
e voltei pra casa frustrada, mas não desistir, pensei em varias
coisas...conversei com meu marido e pedir ajuda e seu apoio.
Na
semana seguinte caiu a ficha das contas em atraso e o desespero de não ter
conseguido pagar tudo, pois o que meu marido recebe mal da pras contas, mesmo a
gente ter enxugado boa parte delas. Coloquei num papel a possibilidade de fazer
algo dentro de casa pra vender, foi quando pensei em fazer lasanha congelada
para os fins de semana, escondidinho de macaxeira. So que não tínhamos um capital inicial, nem muito menos um capital
de giro. Mesmo assim conversando com uma amiga ela disse que me daria um apoio
me emprestando um valor, foi ai que embarquei nessa sem pensar duas vezes.
Primeiro
fim de semana com apenas propaganda de boca a boca para os amigos que fizeram
seu primeiro pedido, produção legal para o primeiro dia. Acabei sentindo prazer
ate em sair pra vender nos locais próximo de casa... mesmo sem estrutura e sem
retorno inicial, as coisas andavam bem. Até o dia em que fui levar umas das
encomendas e nem consegui retornar pra casa sem pedir ajuda, devido as fortes dores, e fui pra
emergência, passando alguns dias, os clientes ligando e não pude atende-los;
alguns nem se quer entendia. Estava ali mais uma tentativa que não ia pra
frente.
Passado
um mês, minha irmã, precisou de minha ajuda para
ficar com minha sobrinha, pois o período de licença maternidade havia acabado,
não pensei duas vezes, Mas tinhas dias que era muito difícil, chorava
escondida, segurava fundo as dores, mas como sempre ela estava disposta a me
ajudar e marcou alguns médicos para tentar solucionar meu caso. Passados 4
meses fora de Alagoas,só algumas suposições e suspeitas, e ainda assim pediam pra eu voltar
pro meu ginecologista, pois alguns exames não foram tão definidos e levavam a
pensar que era tumor, ou câncer, ou ate mesmo a endometriose.
Retornei
a Maceió, fiz algumas tentativas por aqui e as suspeitas eram as mesmas, achei
estranho, pois em um ano um tumor não iria aparecer tão rápido e com sinais que
ele não tenha visto na cirurgia, mesmo assim acabei marcando um check up com
vários médicos, dentre ele, ginecologistas da região, ortopedista,
neurologista, cardiologista, mastologista, cada um solicitando exames e também
indagaram o retorno ao meu ginecologista em São Paulo. Chega uma hora que cansa a
falta de informação e suposições sem um diagnostico preciso.
Telefonei
para ele, pediu que a consulta fosse presencial; conversei com minha mãe e
irmã, quem me ajuda, para nos organizar pra irmos a São Paulo. Juntei todos os
exames, e no dia 17 de junho de 2015, conversamos bastante, indaguei tais
suposições e prontamente ele foi me explicando as condições e descartando as
mesma com precisão; Graças a Deus! Ele fez alguns exames físicos, examinou
novamente todos os exames e como já havia consultado alguns colegas, fechou o
diagnostico com a noticia do Encarceramento
dos Nervos, ou, Neuropatia por Aprisionamento.
Em
sua explicação e pesquisa, me foi dado artigo associado a esta patologia que
pode ser encontrado no link: http://www.sobracil.org.br/revista/rv050503/rbvc050503_144.pdf.
Resumidamente
vou passar do que se trata; É uma dor crônica e incapacitante, de difícil
diagnostico, e para esse diagnostico são necessárias a historia clinica
completa, laparoscopia diagnostica para identificar todas as causas que possam
ser tratada. E com frequência o paciente
é encaminhado para consulta psiquiátrica, os exames são de alto custo, antes de
ter seu diagnóstico firmado. O custo estimado da investigação pode atingir
cifras elevadas. É comum os diagnósticos mentais e psiquiátricos sejam
suspeitados e não confirmados pelos especialistas.
No
primeiro momento ele já vinha utilizando o tratamento conservador, com
analgésicos neuropáticos, opioides, bloqueio nervosos e anticonvulsivantes. E
dentro desses não houve um quadro bem sucedido de melhora, e na falha deste
pode ser necessária a exploração da incisão ou mesmo a neurectomia, via aberta
ou laparoscópica; E a minha situação requer a cirurgia. E como sempre, com seu
jeito singular de ser, ele me tranquiliza e da procedimento ao que é necessário
ser feito. Agradeço a Deus por capacitar um anjo enviado por Ele para cuidar de
forma singular de minha vida.
A
definição dessa doença se da por uma neuralgia da parede abdominal constitui
uma dor somática neuropáticaa, de natureza crônica, classificada como uma polineuropatia periférica e definida como uma causalgia, por endometriose. Comumente é unilateral o que não invalida a possibilidade de
manifestar-se bilateralmente. Que regue o fator de risco no caso de demora da
cirurgia ou não realização da mesma.
Dados
suportam a hipótese de que a dor crônica não relacionada com procedimentos
cirúrgicos, pode surgir como resultado da compressão isquêmica na passagem do
nervo pelos anéis fibrosos, onde microestruturas podem ancorar o nervo e causar
dor continua ou intermitente. Nesse caso a sequela proveniente a endometriose.
Neste
contexto trago o resumo que me foi passado pelo médico da necessidade e referente a
minha cirurgia:
A paciente Tatyanna
Apolinário Mendes de Dor Abdominal Crônica (CID: R10.3), Pélvica e Perineal (CID: R10.2), causada por encarceramento fibrótico (“Peripheral Nerve Entrapment Neuropathies”) dos nervos sensitivos do plexo lombar,
que inervam a parede do abdome inferior esquerdo ( Nervo Ilioinguinal, Iliohipogástrico e Genitofemural). Esta patologia
determina uma polineuropatia inflatória nas regiões do nervo afetado ( CID:
61.9).
Esta patologia, está
causando à paciente dor pélvica, dor abdominal, dispareunia, disfunção
miccional, disquezia (constipação, perda da força de eliminação de fezes,
cólica intestinal, proctalgia cíclicas). Muitos destes sintomas são
incapacitantes, levando a evidente limitação em sua qualidade de vida, além de
comprometer o funcionamento vesical e evacuatório. Isto tem levado a paciente a
inúmeros atendimento de emergência para tratamento de crises de dores
incapacitantes. A mesma vem necessitando uso de analgésicos maiores, como opióides
A paciente necessita de tratamento cirúrgico especializado.
A cirurgia está marcada para o dia 10 de
agosto de 2015 no Hospital Evangélico
de Londrina.
Atenciosamente,
Dr Ricardo Pereira.
Enfim, quero
poder ter uma melhor qualidade de vida, e assim alçar novos voos, sonhos,
conquistas. Sair destes episódios de tempos em tempos internada para um
paliativo pra conter as dores e em menos 24horas elas voltarem dilacerante.É considerar-se num casulo a beira da transformação.
Deixo aqui
meu pedido de ajuda para quem puder me ajudar. Desde já obrigada.
Tatyanna
apolinario Mendes


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